A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) é um importante desafio no cuidado de pacientes críticos. Sua prevenção depende de protocolos assistenciais, vigilância contínua e atuação multiprofissional.
Nesse cenário, a Odontologia Hospitalar tem um papel estratégico. A avaliação odontológica, o controle do biofilme, a higiene oral e o diagnóstico de alterações da cavidade bucal podem integrar as medidas de prevenção de infecções em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs).
A experiência acumulada pelo CEMOI em ambientes hospitalares reforça a importância de incorporar o cuidado odontológico à rotina assistencial, com atenção à saúde bucal, à segurança do paciente e à qualidade do atendimento.
O que é PAV na UTI?
A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica é uma infecção pulmonar que pode ocorrer em pacientes submetidos à ventilação mecânica invasiva.
O paciente crítico está exposto a diferentes fatores de risco, incluindo alterações da microbiota, procedimentos invasivos, permanência prolongada na UTI e condições clínicas que comprometem suas defesas.
Por isso, a prevenção da PAV não depende de uma única intervenção. Ela envolve um conjunto de medidas assistenciais, protocolos institucionais, monitoramento e integração entre os profissionais responsáveis pelo cuidado.
Entre essas medidas está a atenção à saúde bucal, que pode contribuir para o controle do biofilme e para a redução de fatores de risco associados às infecções em pacientes críticos.
Por que a Odontologia Hospitalar importa na UTI?
A boca do paciente crítico também precisa ser monitorada.
Durante a internação, podem ocorrer acúmulo de biofilme, alterações da microbiota oral, ressecamento das mucosas, lesões e agravamento de condições odontológicas preexistentes.
Em pacientes submetidos à ventilação mecânica, a presença do tubo endotraqueal e as limitações dos cuidados habituais tornam ainda mais importante a avaliação profissional da cavidade oral.
É nesse contexto que o cirurgião-dentista contribui para a equipe assistencial, identificando alterações, definindo condutas odontológicas e colaborando com as estratégias de prevenção e segurança do paciente.
Na UTI, cuidar da boca não é apenas cuidar dos dentes. É reconhecer a saúde bucal como parte do cuidado integral ao paciente crítico.
O que o dentista faz dentro da UTI?
A atuação da Odontologia Hospitalar vai muito além da higiene bucal.
Entre as atividades do cirurgião-dentista no ambiente de terapia intensiva estão:
- Avaliar as condições da cavidade oral;
- Controlar o biofilme e orientar medidas de higiene;
- Identificar possíveis focos de infecção odontogênica;
- Diagnosticar e tratar alterações bucais conforme as condições clínicas do paciente;
- Prevenir e acompanhar lesões da cavidade oral;
- Orientar a equipe assistencial sobre os cuidados de saúde bucal;
- Monitorar a evolução das condições odontológicas;
- Participar das discussões clínicas e dos protocolos multiprofissionais.
Essa atuação permite identificar e manejar alterações que poderiam passar despercebidas, integrando a saúde bucal ao plano de cuidado hospitalar.
A Odontologia Hospitalar faz diferença na prevenção da PAV
A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) é uma das complicações que mais preocupam as equipes de terapia intensiva. Nesse cenário, a Odontologia Hospitalar desempenha um papel importante na prevenção, contribuindo para o controle do biofilme oral, a identificação de focos infecciosos e a implementação de cuidados específicos com a saúde bucal do paciente crítico.
A cavidade oral pode abrigar microrganismos potencialmente associados a infecções respiratórias. Quando esses cuidados não recebem a atenção necessária, o acúmulo de biofilme e a presença de alterações odontológicas podem representar riscos adicionais para pacientes que já apresentam condições clínicas delicadas.
É nesse contexto que a atuação do cirurgião-dentista faz diferença. Por meio de avaliações sistemáticas, controle do biofilme, identificação e tratamento de alterações bucais e orientação da equipe assistencial, a Odontologia Hospitalar contribui para qualificar o cuidado e fortalecer as estratégias de prevenção da PAV.
Resultados que reforçam a importância dessa atuação
Na experiência assistencial do CEMOI, a implementação e a consolidação de um programa estruturado de Odontologia Hospitalar foram acompanhadas por uma evolução favorável dos indicadores relacionados à PAV, incluindo um período posterior sem novos registros de casos.

Essa experiência reforça a relevância de incorporar o cuidado odontológico à rotina da UTI, com protocolos definidos, acompanhamento sistemático e integração entre os profissionais. Embora a prevenção da PAV dependa de um conjunto de medidas e da atuação multiprofissional, os cuidados com a saúde bucal constituem uma frente importante dessa estratégia.
A literatura científica também aponta resultados relevantes. Uma revisão sistemática publicada em 2023 identificou menor incidência de PAV em unidades de terapia intensiva que contavam com equipes de saúde bucal. Apesar das limitações metodológicas dos estudos analisados, o achado reforça a importância de ampliar a integração da Odontologia às equipes hospitalares.
O protocolo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para prevenção da PAV também contempla a higiene oral entre as medidas que integram a assistência ao paciente em ventilação mecânica. Isso evidencia que o cuidado com a cavidade oral não deve ser tratado como uma ação isolada ou secundária, mas como parte do conjunto de intervenções voltadas à segurança do paciente.
A Odontologia Hospitalar não substitui as demais medidas de prevenção da PAV. Ela as complementa, fortalece o cuidado e amplia a capacidade da equipe de identificar e manejar fatores de risco relacionados à saúde bucal. Por isso, a presença do cirurgião-dentista na UTI deve ser compreendida como parte de uma assistência integrada, qualificada e comprometida com melhores resultados clínicos.
O dentista precisa estar dentro da UTI
A prevenção da PAV exige protocolos, treinamento, monitoramento e trabalho em equipe. Nesse contexto, a Odontologia Hospitalar acrescenta o olhar especializado sobre a cavidade oral do paciente crítico.
No CEMOI, essa realidade integra a formação profissional. O contato com o ambiente hospitalar e a compreensão da dinâmica das equipes multiprofissionais ajudam a preparar cirurgiões-dentistas para atuar diante das necessidades de pacientes sistemicamente comprometidos.
Porque, no hospital, a Odontologia não deve ser lembrada apenas quando surge um problema. Ela precisa fazer parte do planejamento do cuidado, com avaliação, prevenção e acompanhamento contínuo.
Quando a Odontologia Hospitalar passa a integrar a rotina da UTI, a saúde bucal deixa de ser esquecida e passa a ser reconhecida como parte fundamental do cuidado ao paciente crítico.
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Perguntas frequentes sobre PAV na UTI
O que é PAV?
PAV é a sigla para Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica, uma infecção respiratória que pode ocorrer em pacientes submetidos à ventilação mecânica invasiva.
A higiene oral ajuda na prevenção de PAV?
A higiene oral integra os protocolos de prevenção de PAV recomendados pela Anvisa. Estudos sugerem possível redução da incidência de PAV com determinadas estratégias de cuidado oral, mas a qualidade e a certeza das evidências ainda são variáveis.
Qual é a função do dentista na UTI?
O cirurgião-dentista pode avaliar a condição bucal, controlar biofilme, identificar e tratar alterações odontológicas, prevenir lesões e integrar informações e condutas ao cuidado multiprofissional.
A Odontologia Hospitalar elimina o risco de PAV?
Não. A PAV possui múltiplos fatores de risco e sua prevenção depende de um conjunto de medidas. A Odontologia Hospitalar é uma parte potencialmente importante dessa estratégia, especialmente no cuidado com a saúde bucal.
Por que o dentista deve fazer parte da equipe da UTI?
Porque o paciente crítico pode apresentar alterações bucais que exigem avaliação e manejo especializado. A atuação integrada permite incorporar a saúde bucal ao plano global de cuidado.
Fontes científicas e institucionais para o artigo
- Anvisa — Protocolo para prevenção de PAV: referência institucional brasileira para as medidas de prevenção.
- Araújo et al., 2023 — Special Care in Dentistry: revisão sistemática sobre equipes de saúde bucal e PAV em UTI.
- Gomes et al., 2026 — Journal of Hospital Infection: revisão sistemática recente sobre protocolos de higiene oral e PAV.