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Estado de São Paulo lança o Manual de Odontologia Hospitalar

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Na cerimônia de abertura do CIOSP 2013 o secretário de saúde de São Paulo oficialmente padronizou os procedimentos odontológicos em vigor em toda a rede pública de saúde paulista. O secretário, Dr Giovanni Guido Cerri define, em linhas gerais, as condutas adotadas pelos profissionais da assistência odontológica, dentro e fora das UTI dando uma ótima notícia: “cerca de 21 hospitais até o fim deste ano estarão disponibilizando a saúde bucal aos pacientes internados com previsão de englobar todos os 45 hospitais da rede pública do estado até 2014.”

O Manual
Contém 86 páginas, na grande maioria, abordando procedimentos gerais, definições, perfis profissionais, campos de atuação, elaboração de indicadores de saúde e produtividade. Nas páginas restantes o manual aborda brevemente as diretrizes mínimas de atuação nas áreas médicas de Hematologia, Oncologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Cardiologia, Dermatologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Transplante Hepático, Neurologia e Psiquiatria, Pneumologia, Nefrologia, Doenças Infectocontagiosas e por fim um capítulo dedicado à atuação do cirurgião dentista na UTI, como pode ser observado nas imagens em anexo, as quais merecem uma atenção e leitura especial de nós odontointensivistas.

Inegavelmente é um avanço na saúde bucal brasileira o reconhecimento do profissional odontólogo em ambiente hospitalar, contudo não podemos esquecer a presença marcante dos bucomaxilosfaciais, estomatologistas e pacientes especiais nesse universo, há anos. Assim como descreve o manual, o CEMOI entende que não deve haver sobreposição entre essas especialidades, mas que a atuação do cirurgião dentista de alta complexidade (UTI) complemente-as corroborando para a prevenção de novos patógenos.

A evolução
Uma vez inserido em ambiente hospitalar, acreditamos que seja questão de tempo o diagnóstico precoce de doenças que afetam silenciosamente pacientes hospitalizados sem cuidados bucais. Estamos certos que essa evolução não será linear, crescerá à medida que novos estudos sejam conduzidos em sinergia com a equipe médica, enfermagem e fisioterapia. Novos conceitos surgirão beneficiando não somente o sistema de saúde, mas, de fato aos pacientes que dela necessitam acrescenta a Diretora de Odontologia do CEMOI e odontointensivista Dra Adriana Gutierrez.

Protocolo de UTI – Extrato do Manual de Odontologia Hospitalar de São Paulo
“A higiene bucal deficiente em pacientes internados em UTI propicia a colonização do biofilme bucal por microrganismos, especialmente por patógenos respiratórios, o que pode aumentar o risco de desenvolvimento de pneumonia nosocomial. A instalação dessa pneumonia se dá mais comumente pela aspiração do conteúdo mucoso presente na boca e faringe.

É necessária a presença diária do cirurgião-dentista da equipe de odontologia hospitalar na UTI. Esse profissional deve avaliar os pacientes nas primeiras 24 horas de internação na terapia intensiva, com objetivo de realizar busca ativa com relação à presença de infecções bucais e orientar a enfermagem com relação à correta higiene oral.

Consulta odontológica inicial

A consulta odontológica inicial realizada nos pacientes da UTI compreende os seguintes procedimentos:

· Identificar a doença primária e verificar o estado geral do paciente, para determinar o protocolo adequado de higiene oral – link para o item abaixo.

· Determinar a condição em saúde bucal: obter índice CPO-D e avaliar o nível de doença periodontal.
· Controlar a quantidade de placa bacteriana.

· Realizar o diagnóstico e o tratamento de infecções odontogênicas e não-odontogênicas.

· Avaliar se é necessária a remoção de aparelhos ortodônticos, próteses parafusadas e restaurações metálicas, bem como de outros aparatos que interfiram em exames de imagem ou que possam causar lesões em tecidos moles.

· Avaliar a necessidade de instalação de aparelhos bucais para prevenir ou tratar lesões traumáticas em tecidos moles.
· Avaliar a necessidade de hidratação labial diária.
A hidratação labial não deve ser realizada com vaselina devido à possibilidade de combustão quando em contato com o oxigênio durante oxigenioterapia.

Protocolos de higiene bucal

Para pacientes entubados:

· Verificar a angulação da posição de decúbito do paciente. Embora ainda não existam estudos em relação à posição do paciente no momento da higiene bucal, recomenda-se 30° para evitar pneumonia aspirativa.
· Calçar luvas de procedimento.
· Aspirar na região da orofaringe antes do procedimento.
· Embeber escova de dente e/ ou boneca de gaze e/ ou swab em solução não-alcoólica de clorexidina 0,12% e realizar os seguintes movimentos:
* Friccionar os vestíbulos e a mucosa jugal no sentido póstero-anterior.
* Friccionar o palato no sentido póstero-anterior.
* Friccionar as superfícies vestibulares, linguais e oclusais dos dentes.
* Friccionar o tubo orotraqueal.
· Passar raspador na língua no sentido póstero-anterior.
· Aspirar na região da orofaringe durante todo procedimento.

Para pacientes não-entubados:

Caso o paciente esteja recebendo alimentação por via oral, além de repetir os itens acima, deve-se escovar os dentes com escova dental 3 vezes ao dia, após as principais refeições. Caso o paciente não esteja se alimentando por via oral, os procedimentos de higiene oral devem ser realizados 2 vezes ao dia”

Fonte:Ciosp 2013 e Manual de Odontologia Hospitalar – 1ºEdição
Assessoria de Comunicação CEMOI
Baixe o Manual em: Artigos que você precisa ler em 2013.

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