Dentista reduz a zero casos de pneumonia em UTI de hospital

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Mais uma comprovação da importância do cirurgião-dentista nas unidades de tratamento intensivo foi constatada nessa semana. Há 13 meses o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) apresenta índice zero de pneumonia associada à ventilação mecânica em pessoas internadas na UTI Adulto.

O resultado é consequência do trabalho multiprofissional que iniciado a cerca de seis anos que integrou dentistas para cuidar dos pacientes em estado crítico. O modelo inclusive começou a ser estendido neste mês para as demais unidades da Secretaria de Saúde que contam com UTI.

O dentista Marcos Barbosa Pains, primeiro profissional da área a atuar no serviço rotineiro, explica que o trabalho foi iniciado na identificação de quadros infecciosos de difícil tratamento, mesmo com a aplicação de diversos recursos terapêuticos: “Somente com a avaliação odontológica foram diagnosticados problemas de saúde bucal, que foram tratados para que o paciente recebesse alta”.

Como explicar a redução 

A redução nos casos de pneumonia relacionados à ventilação mecânica se deu através do tratamento do dentista aos pacientes da UTI com insuficiência respiratória, que precisam de um aparelho para ajudar na oxigenação, mas que acaba aumentando o volume de bactérias que alcançam o pulmão, causando a infecção.

Antes do investimento na odontologia hospitalar, o HRC apresentava uma taxa de densidade de infecção (que é o número de pacientes com pneumonia em um dado período dividido pelo número de dias em ventilação mecânica x 1000) na casa de 8. Os números foram caindo, até que de julho de 2016 até agora não foram mais registrados casos.

Estatísticas da Anvisa mostram que 33% dos pacientes de UTI que desenvolvem essa infecção evoluem para óbito. Um episódio de pneumonia associada à ventilação, além de prolongar o tempo de internação em aproximadamente 12 dias, aumenta os gastos com recursos e uso de antibióticos.

Investimento na capacitação

Aluno da primeira turma do CEMOI, Marcos conta que sua atuação é diária na avaliação dos pacientes, remoção de placa bacteriana visível, eliminação de focos infecciosos, extrações e restaurações provisórias, diagnósticos de doenças diversas e supervisão do protocolo de higiene bucal executado pela equipe de enfermagem.

Apesar de já ter uma relativa experiência na área anteriormente, Marcos destaca que o curso de habilitação em Odontologia Hospitalar acrescentou conhecimentos e consolidou seus aspectos da prática clínica. “A rede de contatos que é criada com outros profissionais também é um diferencial para debates de casos. Além do fato de ter uma certificação na área fazer com que o gestor hospitalar te enxergue de uma outra forma”, comenta.

Outras infecções relacionadas à falta de cuidados bucais também podem ser prevenidas com o trabalho dos dentistas, como os abcessos (pus na cavidade bucal), a endocardite e a periodontite (infecções no coração e na gengiva, respectivamente). O quadro pode piorar caso as bactérias acessem o sistema circulatório, o que pode causar, inclusive, infecção generalizada. Além disso o dentista contribui no diagnóstico de outras doenças causadas por fungos, vírus ou bactérias, como candidíase e herpes.

Oportunidades para dentistas

A Odontologia Hospitalar é uma área em franca expansão, e no Distrito Federal isso é uma realidade. “Nosso trabalho comprova que a manutenção do dentista na UTI o tempo todo, e não apenas dando assistência eventual através de resposta aos pareceres da equipe médica, é de suma importância. A presença do dentista diariamente na UTI acaba mudando positivamente a mentalidade de todos os profissionais da unidade. O trabalho é feito em equipe e a presença do cirurgião-dentista é essencial, já que nosso trabalho vai muito além da higiene bucal”, defende Marcos.

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