Atuação de dentistas nas UTIs muda parâmetros em hospitais brasileiros

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A odontologia hospitalar (OH) é uma das área de atuação que mais vem sendo procurada nos últimos anos no Brasil. Muito disso se deve ao fato de que os hospitais perceberam a relevância da saúde bucal em pacientes sistemicamente comprometidos.

Seja em unidades de terapia intensiva, semi-intensiva, coronarianas e leitos de internação, o dentista passou a interagir com a equipe multidisciplinar composta também por médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e enfermeiros para acompanhar aqueles que mais precisam.

“Os pacientes internados apresentam, em grande parte dos casos, uma higiene bucal deficitária, o que permite a propagação de patógenos que propiciam o aparecimento de outras doenças, principalmente as respiratórias”, explica Claudia Baiseredo, diretora do Centro Multidisciplinar de Odontologia Intensiva (CEMOI).

É importante que infecções e processos inflamatórios oriundos da cavidade bucal não interrompam outros tratamentos. Como é o caso da perda do ciclo quimioterápico, ocasionado devido aos processos inflamatórios, da mucosa oral, muito comum nos pacientes oncológicos, e conhecidas como mucosites.

DIFERENCIAIS DA ODONTOLOGIA HOSPITALAR
A inserção da odontologia nas unidades de tratamento intensivo traz inúmeros benefícios, como redução de tempo de internação, diminuição do gasto com antibióticos de alto custo e prescrição de medicamentos, diagnóstico precoce de doenças graves, queda na indicação de nutrição parenteral com o paciente conseguindo se alimentar pela boca e consequentemente melhora da qualidade de vida do paciente e redução dos custos de internação.

A redução nos casos de pneumonia relacionados à ventilação mecânica é uma das importantes conquistas. Estatísticas da Anvisa mostram que 33% dos pacientes de UTI que desenvolvem essa infecção evoluem para óbito. O trabalho do cirurgião-dentista se dá no cuidado com o pacientes da UTI com insuficiência respiratória, que precisa de um aparelho para ajudar na oxigenação, mas que acaba aumentando o volume de bactérias que alcançam o pulmão, causando a infecção. Um episódio de pneumonia associada à ventilação, além de prolongar o tempo de internação em aproximadamente 12 dias, aumenta os gastos com recursos e uso de antibióticos. Uma pesquisa publicada no Journal of Intensive Care Medicine, nos Estados Unidos, comprovou que a redução de pneumonias associadas à ventilação mecânica, ou seja, entubação, chegou a 46%.

A implantação da assistência odontológica em hospitais públicos e privados tramita na Câmara Federal há alguns anos em 2016 recebeu parecer favorável da relatora do Projeto de Lei 34/2013, Senadora Ana Amélia, mas ainda não foi sancionado. Ele regulamenta a presença do cirurgião-dentista nas UTI’s e inclui a assistência odontológica no atendimento e internação domiciliares do Sistema Único de Saúde.

HABILITAÇÃO NA ÁREA É OBRIGATÓRIA
Pacientes renais, cardiopatas, transplantados de órgãos e tecidos, diabéticos, oncológicos e senilidade avançada necessitam de atendimento especializado. É preciso uma avaliação detalhada, sendo necessário o acompanhamento multiprofissional para garantir o resultado esperado.

De acordo com o Conselho Federal de Odontologia, o cirurgião-dentista habilitado em OH pode atuar em equipes multiprofissionais, interdisciplinares e transdisciplinares na promoção da saúde baseada em evidências científicas, de cidadania, de ética e de humanização. Essa habilitação permite que o profissional acompanhe o paciente após a alta hospitalar em regime ambulatorial e domiciliar, desde que haja equipamento e infraestrutura adequados às demandas pós-internação.

Os cursos de Odontologia Hospitalar (OH) devem ser realizados com um mínimo de 350 horas, sendo 30% de horas práticas e 70% de teóricas. O número máximo de alunos por turma será de 30, com, no mínimo, um professor com o título de mestre ou doutor.

 

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